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É necessário operar o menisco? O que mostram as pesquisas

Marissa Alves·Out 2026· 5 min
É necessário operar o menisco? O que mostram as pesquisas

Nem toda lesão no exame exige cirurgia

O menisco é uma estrutura de fibrocartilagem que ajuda a distribuir as cargas no joelho. Uma lesão pode ocorrer após um trauma ou surgir gradualmente com o passar do tempo. Por isso, o resultado da ressonância precisa ser avaliado junto com os sintomas, o exame clínico e a história da pessoa.

Uma imagem, por si só, não determina o tratamento. A decisão depende de fatores como o tipo de lesão, a forma como começou, os sintomas e o impacto nas atividades do dia a dia.

O que os estudos encontraram

Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos publicada em 2020 encontrou pequenas vantagens da meniscectomia parcial em algumas medidas de dor e função nos primeiros meses. No acompanhamento mais longo, porém, os resultados entre cirurgia e fisioterapia foram semelhantes. Li et al., 2020

O ensaio clínico ESCAPE acompanhou pessoas com lesões degenerativas por cinco anos. A fisioterapia com exercícios não foi inferior à cirurgia para a função do joelho, apoiando seu uso como tratamento inicial para esse perfil de paciente. Noorduyn et al., 2022

Outro ensaio, o estudo FIDELITY, comparou a retirada parcial do menisco com uma cirurgia simulada. Após cinco anos, não encontrou benefício relevante da meniscectomia para dor ou função em relação ao procedimento simulado. Sihvonen et al., 2020

Uma revisão Cochrane de 2022 reuniu 16 ensaios clínicos, com mais de 2.100 participantes com doença degenerativa no joelho, incluindo lesões meniscais. Os autores concluíram que a artroscopia oferece pouco ou nenhum benefício clinicamente importante para dor e função em comparação com a cirurgia simulada. O’Connor et al., 2022

Já uma revisão sistemática com metanálise em rede, publicada em 2024, comparou intervenções fisioterapêuticas com tratamentos cirúrgicos para lesões degenerativas não traumáticas. Os resultados favoreceram considerar a fisioterapia como opção preferencial, embora os autores apontem que há menos certeza sobre os efeitos no médio e longo prazo. Sánchez-Crespo et al., 2024

Por que a fisioterapia costuma ser considerada primeiro?

A fisioterapia pode incluir exercícios progressivos para recuperar força, movimento e capacidade de realizar atividades. O plano deve levar em conta os sintomas e os objetivos de cada pessoa. Se os sintomas persistirem, o profissional pode reavaliar a situação e discutir outras opções.

Isso não significa que a cirurgia nunca seja indicada. Significa que, em muitas lesões degenerativas estudadas, operar logo de início não trouxe resultados melhores e duradouros do que começar com tratamento não cirúrgico.

Quando esses resultados não se aplicam?

Os estudos citados se concentram principalmente em lesões degenerativas e não traumáticas, e a maioria avalia a meniscectomia parcial, que remove uma parte do menisco. Eles não respondem a todas as situações. Uma lesão após trauma, uma lesão que possa ser reparada ou um bloqueio persistente do joelho precisam de avaliação específica.

Então, é necessário operar o menisco?

Para muitas pessoas com lesão degenerativa, a resposta é: não necessariamente. A evidência apoia conversar sobre fisioterapia e acompanhamento como opções iniciais antes de decidir por uma artroscopia. A escolha deve ser feita com um profissional de saúde, considerando o tipo de lesão, os sintomas e a resposta ao tratamento.

Este artigo é informativo e não substitui avaliação individual por um profissional de saúde.

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Perguntas frequentes

Referências

  1. Sánchez-Crespo et al. (2024) — “Physical Therapist Interventions Versus or Combined With Surgical Treatment in Nontraumatic Degenerative Meniscal Pathology”.
  2. O’Connor et al. (2022) — “Arthroscopic surgery for degenerative knee disease”.
  3. Sihvonen et al. (2020) — “Arthroscopic partial meniscectomy for a degenerative meniscus tear: a 5 year follow-up of the placebo-surgery controlled FIDELITY trial”

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