Entorse de Tornozelo: a dor passou, mas você está recuperado?

O que acontece quando você torce o tornozelo?
Na maioria dos casos, ocorre uma lesão dos ligamentos da parte lateral do tornozelo, principalmente do ligamento talofibular anterior (ATFL). Além do dano ligamentar, também podem ocorrer:
- Inflamação e edema.
- Redução da força muscular.
- Diminuição da mobilidade.
- Alterações na propriocepção (capacidade do corpo de perceber a posição da articulação).
- Prejuízo do controle neuromuscular.
Essas alterações explicam por que muitas pessoas continuam “virando o tornozelo” mesmo meses depois da primeira lesão.
O maior erro: parar a fisioterapia quando a dor melhora
É muito comum que a dor diminua já nas primeiras semanas após a lesão. No entanto, a melhora dos sintomas não significa que o tornozelo recuperou sua capacidade de suportar as demandas do esporte.
Pesquisas recentes mostram que muitos atletas retornam às atividades com déficits importantes de força, equilíbrio e controle neuromuscular, o que aumenta significativamente o risco de uma nova entorse.
Sentir-se bem não é o mesmo que estar preparado para voltar ao esporte. A ausência de dor é apenas um dos vários critérios que precisam ser avaliados antes da liberação.
O que realmente reduz o risco de uma nova entorse?
Durante muitos anos, acreditou-se que repouso, gelo e tornozeleiras eram suficientes para tratar a lesão. Hoje sabemos que essas medidas podem aliviar sintomas, mas não substituem uma reabilitação baseada em exercícios. As evidências científicas mostram que programas estruturados de fisioterapia reduzem o risco de recidiva e melhoram a função do tornozelo.
Entre os componentes mais importantes da reabilitação estão:
- Recuperação da mobilidade.
- Fortalecimento dos músculos da perna e do pé.
- Treino de equilíbrio e propriocepção.
- Exercícios de controle neuromuscular.
- Progressão para saltos, mudanças de direção e movimentos específicos do esporte.
O treino precisa parecer com o esporte
Um dos achados mais interessantes das revisões recentes é que muitos protocolos tradicionais ainda utilizam apenas exercícios simples e previsíveis. No entanto, as entorses normalmente acontecem em movimentos rápidos, inesperados e com mudanças bruscas de direção.
Por isso, a fase final da reabilitação deve incluir exercícios que simulem situações reais do esporte, preparando o atleta para responder a estímulos imprevisíveis, como mudanças de direção, aterrissagens e desacelerações.
Como saber se está na hora de voltar ao esporte?
A decisão não deve ser baseada apenas no tempo desde a lesão. O consenso internacional conhecido como PAASS Framework recomenda avaliar cinco domínios antes da liberação para o retorno esportivo:
- Dor: ausência ou mínimo desconforto durante a prática esportiva.
- Função do tornozelo: amplitude de movimento, força e resistência muscular.
- Percepção do atleta: confiança, sensação de estabilidade e preparo psicológico.
- Controle sensório-motor: equilíbrio e propriocepção.
- Desempenho esportivo: capacidade de correr, saltar, mudar de direção e realizar gestos específicos da modalidade.
Essa abordagem reduz o risco de liberar o atleta apenas porque “já passou o tempo esperado”.
Como a fisioterapia pode ajudar?
Na Stronger Fisioterapia, cada atleta é avaliado de forma individual. Durante a avaliação, observamos não apenas a dor, mas também força muscular, mobilidade, equilíbrio, controle neuromuscular e capacidade funcional. A partir desses dados, elaboramos um plano de reabilitação progressivo e específico para o esporte praticado.
O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas devolver segurança para que você volte a treinar e competir com menor risco de uma nova lesão.
A entorse de tornozelo não deve ser encarada como uma lesão “simples”. Embora a dor costume diminuir rapidamente, a recuperação completa depende da restauração da força, do equilíbrio, da propriocepção e do controle neuromuscular. Retornar ao esporte apenas porque o tornozelo “não dói mais” aumenta significativamente a chance de novas lesões.
Torceu o tornozelo? A Stronger atende presencialmente em Vila Olímpia, São Paulo, e avalia força, equilíbrio e controle neuromuscular para ajudar você a voltar ao esporte com segurança, não só sem dor.
Perguntas frequentes
Referências
- Jiang H, Mei Q, Wang Y, et al. “Towards the strategies of return to sport after lateral ankle sprain: a systematic review.” Annals of Medicine. 2025
- Doherty C, Bleakley C, Hertel J, Caulfield B, Ryan J, Delahunt E. “Return to sport decisions after an acute lateral ankle sprain injury: introducing the PAASS framework — an international multidisciplinary consensus.” Br J Sports Med. 2021.
- Alshammari A, Bestwick-Stevenson T, Pearson RG, et al. “Criteria-based phased rehabilitation framework for lateral ankle sprain: systematic review, qualitative study and expert Delphi consensus.” BMJ Open Sport Exerc Med. 2026.
- Doherty C, Bleakley C, Delahunt E, Holden S. “Exercise-based rehabilitation reduces reinjury following acute lateral ankle sprain: a systematic review update with meta-analysis.” PLOS ONE. 2022.
- Martin RL, Davenport TE, Fraser JJ, et al. “Clinical Practice Guideline: Lateral Ankle Ligament Sprains Revision 2021.” J Orthop Sports Phys Ther. 2021.
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