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Entorse de Tornozelo: a dor passou, mas você está recuperado?

Marissa Alves·Jul 2026· 5 min
Entorse de Tornozelo: a dor passou, mas você está recuperado?

O que acontece quando você torce o tornozelo?

Na maioria dos casos, ocorre uma lesão dos ligamentos da parte lateral do tornozelo, principalmente do ligamento talofibular anterior (ATFL). Além do dano ligamentar, também podem ocorrer:

  1. Inflamação e edema.
  2. Redução da força muscular.
  3. Diminuição da mobilidade.
  4. Alterações na propriocepção (capacidade do corpo de perceber a posição da articulação).
  5. Prejuízo do controle neuromuscular.

Essas alterações explicam por que muitas pessoas continuam “virando o tornozelo” mesmo meses depois da primeira lesão.

O maior erro: parar a fisioterapia quando a dor melhora

É muito comum que a dor diminua já nas primeiras semanas após a lesão. No entanto, a melhora dos sintomas não significa que o tornozelo recuperou sua capacidade de suportar as demandas do esporte.

Pesquisas recentes mostram que muitos atletas retornam às atividades com déficits importantes de força, equilíbrio e controle neuromuscular, o que aumenta significativamente o risco de uma nova entorse.

Sentir-se bem não é o mesmo que estar preparado para voltar ao esporte. A ausência de dor é apenas um dos vários critérios que precisam ser avaliados antes da liberação.

O que realmente reduz o risco de uma nova entorse?

Durante muitos anos, acreditou-se que repouso, gelo e tornozeleiras eram suficientes para tratar a lesão. Hoje sabemos que essas medidas podem aliviar sintomas, mas não substituem uma reabilitação baseada em exercícios. As evidências científicas mostram que programas estruturados de fisioterapia reduzem o risco de recidiva e melhoram a função do tornozelo.

Entre os componentes mais importantes da reabilitação estão:

  1. Recuperação da mobilidade.
  2. Fortalecimento dos músculos da perna e do pé.
  3. Treino de equilíbrio e propriocepção.
  4. Exercícios de controle neuromuscular.
  5. Progressão para saltos, mudanças de direção e movimentos específicos do esporte.

O treino precisa parecer com o esporte

Um dos achados mais interessantes das revisões recentes é que muitos protocolos tradicionais ainda utilizam apenas exercícios simples e previsíveis. No entanto, as entorses normalmente acontecem em movimentos rápidos, inesperados e com mudanças bruscas de direção.

Por isso, a fase final da reabilitação deve incluir exercícios que simulem situações reais do esporte, preparando o atleta para responder a estímulos imprevisíveis, como mudanças de direção, aterrissagens e desacelerações.

Como saber se está na hora de voltar ao esporte?

A decisão não deve ser baseada apenas no tempo desde a lesão. O consenso internacional conhecido como PAASS Framework recomenda avaliar cinco domínios antes da liberação para o retorno esportivo:

  1. Dor: ausência ou mínimo desconforto durante a prática esportiva.
  2. Função do tornozelo: amplitude de movimento, força e resistência muscular.
  3. Percepção do atleta: confiança, sensação de estabilidade e preparo psicológico.
  4. Controle sensório-motor: equilíbrio e propriocepção.
  5. Desempenho esportivo: capacidade de correr, saltar, mudar de direção e realizar gestos específicos da modalidade.

Essa abordagem reduz o risco de liberar o atleta apenas porque “já passou o tempo esperado”.

Como a fisioterapia pode ajudar?

Na Stronger Fisioterapia, cada atleta é avaliado de forma individual. Durante a avaliação, observamos não apenas a dor, mas também força muscular, mobilidade, equilíbrio, controle neuromuscular e capacidade funcional. A partir desses dados, elaboramos um plano de reabilitação progressivo e específico para o esporte praticado.

O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas devolver segurança para que você volte a treinar e competir com menor risco de uma nova lesão.

A entorse de tornozelo não deve ser encarada como uma lesão “simples”. Embora a dor costume diminuir rapidamente, a recuperação completa depende da restauração da força, do equilíbrio, da propriocepção e do controle neuromuscular. Retornar ao esporte apenas porque o tornozelo “não dói mais” aumenta significativamente a chance de novas lesões.


Torceu o tornozelo? A Stronger atende presencialmente em Vila Olímpia, São Paulo, e avalia força, equilíbrio e controle neuromuscular para ajudar você a voltar ao esporte com segurança, não só sem dor.

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Perguntas frequentes

Referências

  1. Jiang H, Mei Q, Wang Y, et al. “Towards the strategies of return to sport after lateral ankle sprain: a systematic review.” Annals of Medicine. 2025
  2. Doherty C, Bleakley C, Hertel J, Caulfield B, Ryan J, Delahunt E. “Return to sport decisions after an acute lateral ankle sprain injury: introducing the PAASS framework — an international multidisciplinary consensus.” Br J Sports Med. 2021.
  3. Alshammari A, Bestwick-Stevenson T, Pearson RG, et al. “Criteria-based phased rehabilitation framework for lateral ankle sprain: systematic review, qualitative study and expert Delphi consensus.” BMJ Open Sport Exerc Med. 2026.
  4. Doherty C, Bleakley C, Delahunt E, Holden S. “Exercise-based rehabilitation reduces reinjury following acute lateral ankle sprain: a systematic review update with meta-analysis.” PLOS ONE. 2022.
  5. Martin RL, Davenport TE, Fraser JJ, et al. “Clinical Practice Guideline: Lateral Ankle Ligament Sprains Revision 2021.” J Orthop Sports Phys Ther. 2021.

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